Como hoje em dia as etapas de gravação/mixagem/edição/masterização estão cada vez mais conectadas, vejo muito material sendo entregue para a masterização da maneira inadequada.

O masterizador já é o cara mais sofrido do processo, pois recebe um arquivo fechado em wav, não tem histórico do processo, e todos esperam uma mágica ou uma mão santa que atenda a todas as espectativas. Não é pra qualquer um.

Então aqui vão algumas dicas do que fazer e o que não fazer na hora de preparar as mixagens para a masterização:

1- Compressão no master track (L-R): Não coloque nenhum tipo de compressor ou limitador no master fader. Não tem problema nenhum em entregar a sua mixagem com pouco volume. É até bom, pois dá mais “espaço” para se trabalhar.

2- Formato: Mantenha o formato que foi gravado. Se foi gravado em 44.1kHz/24 bits, é assim que deve ser entregue. A redução para o formato de cd deve ser feito no ultimo estágio, ou seja, na mão do masterizador.

3- Dither: Só deve ser usado quando se faz alguma conversão no formato. Como logo acima acabei de dizer que não se deve fazer nenhuma conversão, logo, não se deve fazer nenhum dithering, certo?!

ERRADO! Pouca gente sabe, mas independente de estar gravando em 16 ou 24 bits, o fato é que nosso mixer virtual trabalha em outro padrão. Por exemplo, cubase e nuendo trabalham com 32bits ponto flutuante e o pro tools em 48 bits internamente.

Então por isso, deve ser usado o dither para “descer” para 24bits no master track.

4- Fade ins e Fade outs: Não deve ser feito na mixagem. Isto porque ele será afetado pelo processo de ganho, compressão e equalização da masterização.

O artista ou produtor deve comparecer a sessão final da masterização para concluir estes fades.
obs: abre-se uma exceção, caso o trabalho não possa ser acompanhado pelo artista ou produtor.

5- Mixagens alternativas: É importante fornecer opções para quem masteriza. Faça uma versão oficial de sua mixagem, uma com +1dB e outra com -1dB na voz ou melodia. Outra opção é com mais ou menos reverb.

O processo de masterização por muitas vezes acaba por afetar a mixagem, então é bom ter estas opções.

6- Stem tracks: São tracks separadas de uma mixagem. É comum enviar por exemplo um track com todo o mix e outro track só com a voz separada. Isso dá um pouco mais de flexibilidade para o masterizador.

Não concordo com essa filosofia de ir empurrando as decisões para a etapa seguinte e também não sou fã de sair enviando stem tracks de tudo. Tem quem envie quase a mix toda aberta. Eu já acho que faz parte do processo de amadurecimento em aceitar a sua mixagem.

Mas é bom conhecer a possibilidade. Minha sugestão é entregar a mix completa e fechada num arquivo, e apenas comentar com masterizador sobre a possibilidade de enviar um stem track, caso ele encontre algo muito errado ou muito fora do lugar.

Abraços!

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